Jogador de futebol em campo durante um treino
JM
Julia MunizFisioterapeuta

Pubalgia do atleta: a dor na virilha que atrapalha jogadores de futebol e corredores

  • pubalgia
  • dor na virilha
  • fisioterapia esportiva

Uma dor incômoda na região da virilha, que aparece ao chutar, acelerar ou mudar de direção e some com o repouso — só para voltar assim que o treino recomeça. Esse padrão é típico da pubalgia, uma das queixas mais frequentes entre jogadores de futebol, mas que também aparece em corredores, praticantes de hóquei e outras modalidades que exigem giros de tronco e explosão de quadril.

O que é a pubalgia

Pubalgia é um termo abrangente para dores na região púbica e na virilha relacionadas à sobrecarga da musculatura adutora, do reto abdominal e das estruturas que se inserem no osso púbico. Como diferentes tecidos convergem nesse ponto, a dor pode ter origens variadas: tendinopatia dos adutores, sobrecarga da parede abdominal inferior ou um desequilíbrio de força entre o abdômen e a musculatura da coxa. Por isso, dois atletas com o mesmo sintoma podem precisar de condutas bem diferentes.

Por que ela aparece

A pubalgia raramente tem uma causa única. Costuma surgir da combinação de:

  • Desequilíbrio entre a força dos adutores e do abdômen, que sobrecarrega a região púbica a cada chute ou mudança de direção.
  • Aumento repentino de volume ou intensidade de treino, sem tempo de adaptação para os tecidos envolvidos.
  • Amplitude de movimento reduzida no quadril, que obriga a pelve a compensar em gestos como o chute e a virada.
  • Assimetrias entre os dois lados do corpo, comuns em esportes que favorecem um lado (como o chute preferencial no futebol).
  • Histórico de lesões musculares na coxa mal reabilitadas, que deixam a musculatura adutora mais vulnerável a novas sobrecargas.

Por que não deve ser ignorada

O erro mais comum é tratar a pubalgia como uma dor muscular comum e continuar treinando no mesmo ritmo, mascarando o desconforto com analgésicos. Isso tende a cronificar o quadro: o que começaria como uma sobrecarga tratável em poucas semanas pode se estender por meses quando a causa de base não é identificada e corrigida. Como a dor na virilha também pode ter origem articular (no próprio quadril) ou até estar associada a hérnias, uma avaliação criteriosa é o que define o caminho certo de tratamento.

Fisioterapeuta avaliando o quadril e a região do púbis de um atleta

Como a fisioterapia trata

O tratamento é individualizado, conforme a estrutura predominantemente envolvida, mas costuma incluir:

Controle inicial da dor e da carga de treino, reduzindo temporariamente os gestos que reproduzem o sintoma sem exigir afastamento total do esporte.

Fortalecimento progressivo dos adutores e da musculatura abdominal, restabelecendo o equilíbrio de força entre esses grupos musculares.

Trabalho de mobilidade de quadril, ampliando a amplitude disponível para que a pelve não precise compensar durante os gestos esportivos.

Reintrodução gradual dos movimentos específicos do esporte, como chute e mudança de direção, monitorando a resposta dos tecidos a cada etapa.

A pubalgia costuma exigir paciência: a recuperação completa geralmente é medida em semanas, não em dias, e pular etapas para voltar mais rápido é a principal causa de recidiva. Identificar a origem exata da dor logo no início poupa tempo de afastamento e reduz bastante o risco de o quadro se tornar recorrente.


Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação de um fisioterapeuta, que poderá examinar cada caso individualmente e indicar a conduta mais adequada.