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Fisioterapia Esportiva

Pubalgia do Atleta: Dor na Virilha e Tratamento

Julia Muniz · FisioterapeutaAtualizado em 6 min de leitura
Jogador de futebol em campo durante um treino

Uma dor incômoda na região da virilha, que aparece ao chutar, acelerar ou mudar de direção e some com o repouso — só para voltar assim que o treino recomeça. Esse padrão é típico da pubalgia, uma das queixas mais frequentes entre jogadores de futebol, mas que também aparece em corredores, praticantes de hóquei e outras modalidades que exigem giros de tronco e explosão de quadril.

O que é a pubalgia

Pubalgia é um termo abrangente para dores na região púbica e na virilha relacionadas à sobrecarga da musculatura adutora, do reto abdominal e das estruturas que se inserem no osso púbico. Como diferentes tecidos convergem nesse ponto, a dor pode ter origens variadas: tendinopatia dos adutores, sobrecarga da parede abdominal inferior ou um desequilíbrio de força entre o abdômen e a musculatura da coxa. Por isso, dois atletas com o mesmo sintoma podem precisar de condutas bem diferentes.

Por que ela aparece

A pubalgia raramente tem uma causa única. Costuma surgir da combinação de:

  • Desequilíbrio entre a força dos adutores e do abdômen, que sobrecarrega a região púbica a cada chute ou mudança de direção.
  • Aumento repentino de volume ou intensidade de treino, sem tempo de adaptação para os tecidos envolvidos.
  • Amplitude de movimento reduzida no quadril, que obriga a pelve a compensar em gestos como o chute e a virada.
  • Assimetrias entre os dois lados do corpo, comuns em esportes que favorecem um lado (como o chute preferencial no futebol).
  • Histórico de lesões musculares na coxa mal reabilitadas, que deixam a musculatura adutora mais vulnerável a novas sobrecargas.

Por que não deve ser ignorada

O erro mais comum é tratar a pubalgia como uma dor muscular comum e continuar treinando no mesmo ritmo, mascarando o desconforto com analgésicos. Isso tende a cronificar o quadro: o que começaria como uma sobrecarga tratável em poucas semanas pode se estender por meses quando a causa de base não é identificada e corrigida. Como a dor na virilha também pode ter origem articular (no próprio quadril) ou até estar associada a hérnias, uma avaliação criteriosa é o que define o caminho certo de tratamento.

Fisioterapeuta avaliando o quadril e a região do púbis de um atleta

Como a fisioterapia trata

O tratamento é individualizado, conforme a estrutura predominantemente envolvida, mas costuma incluir:

Controle inicial da dor e da carga de treino, reduzindo temporariamente os gestos que reproduzem o sintoma sem exigir afastamento total do esporte.

Fortalecimento progressivo dos adutores e da musculatura abdominal, restabelecendo o equilíbrio de força entre esses grupos musculares.

Trabalho de mobilidade de quadril, ampliando a amplitude disponível para que a pelve não precise compensar durante os gestos esportivos.

Reintrodução gradual dos movimentos específicos do esporte, como chute e mudança de direção, monitorando a resposta dos tecidos a cada etapa.

A pubalgia costuma exigir paciência: a recuperação completa geralmente é medida em semanas, não em dias, e pular etapas para voltar mais rápido é a principal causa de recidiva. Identificar a origem exata da dor logo no início poupa tempo de afastamento e reduz bastante o risco de o quadro se tornar recorrente.

Prevenção em quem já sofreu com pubalgia

Atletas que já passaram por um episódio de pubalgia têm risco maior de recidiva, o que torna a prevenção especialmente relevante nesse grupo. Manter um trabalho contínuo de fortalecimento de adutores e core, mesmo depois da alta do tratamento, e monitorar a carga de treino em períodos de aumento de intensidade — como o início de uma pré-temporada — são medidas que reduzem bastante a chance de o quadro voltar. Ignorar esse cuidado preventivo, assim que a dor desaparece, é um dos motivos mais comuns de recidiva nesse tipo de lesão.

Outras causas de dor na virilha que precisam ser diferenciadas

Nem toda dor na virilha de quem pratica esporte é pubalgia. Parte da avaliação consiste justamente em descartar outras origens, que pedem tratamentos diferentes:

CondiçãoComo a dor costuma se apresentarO que ajuda a diferenciar
Pubalgia por sobrecarga dos adutoresDor na parte interna da coxa, perto do púbis, ao chutar ou fechar a perna contra resistênciaDor ao apertar os joelhos um contra o outro e ao palpar a inserção dos adutores
Sobrecarga da parede abdominal inferiorDor acima do púbis ao fazer abdominal, tossir ou acelerarDor ao contrair o abdômen contra resistência
Problema na articulação do quadrilDor profunda na virilha, às vezes com estalo ou travamentoDor ao girar o quadril com a coxa flexionada e perda de amplitude de rotação
Hérnia inguinalAbaulamento na virilha que aumenta ao fazer forçaVolume palpável, avaliado pelo médico
Lesão muscular agudaDor súbita durante um pique ou chute, às vezes com hematomaInício bem definido, ao contrário da pubalgia, que costuma ser gradual

Erros comuns no tratamento da pubalgia

  • Voltar a chutar e mudar de direção assim que a dor some. A ausência de dor em repouso não significa que a região já tolera a carga do jogo. Os gestos explosivos precisam ser reintroduzidos aos poucos.
  • Fazer só alongamento. Alongar pode aliviar a sensação de tensão, mas sem fortalecimento dos adutores e do abdômen a causa de base continua presente.
  • Usar anti-inflamatório para conseguir jogar. Mascarar a dor permite treinar em cima de uma estrutura sobrecarregada e costuma transformar um quadro de semanas em um problema de meses.
  • Cortar todo o treino. Afastar-se completamente enfraquece a musculatura e dificulta o retorno. Na maioria dos casos é possível manter atividades que não reproduzem a dor.
  • Não ajustar a pré-temporada. Aumentos bruscos de volume são um dos gatilhos mais comuns. Planejar a progressão de carga faz parte do tratamento.

Sinais que pedem avaliação médica

Procure avaliação médica, além da fisioterapêutica, se houver:

  • abaulamento ou volume na virilha que aumenta ao fazer força ou tossir;
  • dor intensa e súbita com hematoma após um pique ou chute;
  • febre, dor ao urinar ou dor testicular associada;
  • dor que não melhora mesmo após algumas semanas de repouso relativo e tratamento;
  • dor noturna persistente ou travamento do quadril.

Perguntas frequentes

Qual exercício ajuda a fortalecer os adutores com segurança? Um dos exercícios mais estudados é a adução de Copenhague, feita de lado com a perna de cima apoiada em um banco. Ele deve ser iniciado em versões mais fáceis, com o joelho apoiado, e progredido conforme a tolerância, preferencialmente com orientação profissional.

Pubalgia sempre precisa de cirurgia? Não. A grande maioria dos casos responde bem ao tratamento conservador com fisioterapia. A cirurgia costuma ser reservada para quadros que não respondem ao tratamento adequado após um período razoável de acompanhamento.

Posso continuar treinando com pubalgia leve? Em muitos casos, sim, com ajuste de carga e evitando os gestos que reproduzem a dor, mas o ideal é que essa decisão seja orientada por avaliação profissional, já que treinar da forma errada pode prolongar o quadro.

Quanto tempo leva para se recuperar da pubalgia? Casos leves a moderados costumam melhorar em 4 a 8 semanas de tratamento adequado, enquanto quadros mais crônicos ou negligenciados podem levar de 3 a 6 meses até a resolução completa.

Alongamento de virilha ajuda a prevenir a pubalgia? Ajuda como parte de uma rotina mais ampla, mas o fortalecimento dos adutores e do core costuma ter impacto preventivo maior do que o alongamento isolado, principalmente em esportes com chutes e mudanças bruscas de direção.


Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui a avaliação de um fisioterapeuta, que poderá examinar cada caso individualmente e indicar a conduta mais adequada.

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  • dor na virilha
  • fisioterapia esportiva
Sobre a autoraJulia Muniz DuarteFisioterapeuta · CREFITO-11/399346-F · Graduada em Fisioterapia pela Estácio. Atende em Taguatinga, Brasília – DF.Conheça o trabalho da Júlia